Lula: compromisso com a saúde pública
"A odontologia no setor público sempre se notificou por prestação de serviço de baixa complexidade, só de atenção básica. Então, a fotografia de saúde bucal anteriormente era de pouca possibilidade de tratamento e os poucos que tinham acesso conseguiam muito pouca coisa também", ressaltou o coordenador nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Gilberto Pucca, que participou do evento ao lado do ministro da Saúde, Humberto Costa, e dos dirigentes das entidades nacionais da odontologia.
O presidente do Conselho Federal de Odontologia, Miguel Nobre, elogiou os avanços registrados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na área da saúde bucal, mas alerta que não se deve esperar resultado imediato. "Considerando a demanda reprimida de toda a história do Brasil, nós vamos precisar talvez de duas gerações para ter níveis ideais".
Para o ministro Humberto Costa, o que se pode comemorar neste momento é o fato de o governo do presidente Lula estar desenvolvendo uma política para o setor. Antes disso, segundo ele, o que houve foi abandono e descompromisso com a saúde pública e bucal da população. "Basta ver que, daqueles aspectos da última pesquisa (levantamento epidemiológico Saúde Bucal/Brasil divulgado este ano), apenas a redução do número de cáries entre crianças de seis a 12 anos de idade cumpriu as metas definidas", destacou. "No restante, o Brasil tem uma situação lamentável, mas vai mudar porque no governo do presidente Lula nós estamos implantando esse programa".
"Atenção especializada" será ampliada
A partir de agora, o acesso aos serviços odontológicos será ampliado, por meio das equipes de saúde bucal do programa Saúde da Família. Os investimentos serão aplicados prioritariamente nas áreas de atenção especializada, incluindo a prótese dentária. A parte preventiva também ganhará força nos próximos anos. As equipes do PSF vão ser parte nesse esclarecimento à população. Cada uma passa a ser responsável por 4,5 mil pessoas fixas. "O usuário do posto de saúde não vai ser atendido por qualquer dentista. Ele vai ter uma equipe que vai cuidar dele. Isso cria uma intimidade, um vínculo com o profissional muito mais eficiente", explica Pucca.
A III Conferência Nacional de Saúde Bucal resultou de um processo iniciado em março e encerrado no mês passado, quando foram realizadas conferências em todos os estados e em 2.542 municípios, reunindo mais de 90 mil pessoas. Há 11 anos não se realizava uma conferência para discutir saúde bucal no setor público. "Do ponto de vista quantitativo, é uma conferência extremamente representativa. Essa representação de delegados aqui é absolutamente inédita", assinalou Gilberto Pucca. O coordenador nacional de saúde bucal ressaltou ainda que, pela primeira vez, o que foi deliberado no evento será de fato encaminhado porque, segundo ele, existe, de um lado, possibilidade política e, de outro, financiamento.
Pelo CFO, estiveram presentes ao evento, realizado entre os dias 29 de julho e 1º de agosto, além do presidente do CFO, Miguel Nobre, o vice-presidente Ailton Rodrigues, o secretário-geral Marcos Santana, o tesoureiro Lester de Menezes, e os conselheiros José Mário Matheus, Genésio Pessoa Jr., Lucimar Leal e Laércio Vilela.
fonte: Jornal do CFO; nº 6, Maio/Junho de 2004. |
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